*Por Sérgio Bernardes, implantodontista e diretor da Neodent
Por muito tempo, a implantodontia foi vista como uma área complexa, quase inacessível para o clínico geral. Cercada por protocolos rigorosos, instrumentais específicos e pelo temor de complicações, ela acabou sendo colocada em um lugar de especialidade distante. Mas essa percepção, embora compreensível no passado, já não reflete sua atual realidade.
Hoje, é possível afirmar com segurança que a implantodontia está mais simples, segura e acessível. E, talvez mais importante, está ao alcance do cirurgião-dentista que deseja evoluir tecnicamente e ampliar sua atuação clínica, sem permanecer preso a uma visão ultrapassada.
O mito da complexidade ainda persiste
Ainda é comum ouvir de colegas que “implante é complicado demais” ou que “falta segurança para começar”. Mas até que ponto esse receio reflete a realidade atual? Esse receio, em grande parte, nasce de uma formação inicial que, muitas vezes, não aprofundou a prática em implantes, somada ao medo de intercorrências cirúrgicas.
É justamente aqui que entra um ponto central deste debate: nem toda implantodontia é complexa. É preciso separar o que é, de fato, complexidade técnica — presente em casos avançados — do que são procedimentos básicos, plenamente executáveis com o preparo adequado. É equivocado tratar a área como um bloco único, quando, na verdade, ela é composta por diferentes níveis de dificuldade. Casos avançados exigem, sim, maior domínio técnico — mas há uma ampla gama de situações iniciais que são plenamente executáveis com preparo adequado.
A implantodontia passou por uma transformação significativa nas últimas décadas. Sistemas de implantes mais modernos, com superfícies otimizadas e designs que favorecem a osseointegração, contribuíram para tornar os resultados mais previsíveis. Nesse processo, marcas fabricantes de implantes, como a Neodent, também tiveram papel importante ao investir em pesquisa, desenvolvimento e simplificação de protocolos, colaborando para tornar a especialidade mais acessível e previsível para o dia a dia clínico
Além disso, não há como ignorar o impacto da tecnologia digital nesse processo, à medida que os protocolos clínicos foram sendo refinados. Hoje, há fluxos de trabalho bem estabelecidos, com etapas claras e evidências científicas robustas, o que reduz variáveis e aumenta a segurança do profissional.
Não há como ignorar o impacto da tecnologia digital nesse processo. Se antes o planejamento cirúrgico dependia majoritariamente da experiência clínica e de exames
bidimensionais, hoje o cenário é outro. O planejamento digital trouxe uma nova camada de previsibilidade.
Tomografias computadorizadas, softwares de planejamento e guias cirúrgicos permitem que o profissional visualize o caso de forma tridimensional, antecipe desafios e execute procedimentos com maior precisão. Isso reduz a margem de erro e aumenta a confiança, especialmente para quem está dando os primeiros passos. Além disso, fluxos digitais integrados tornam o processo mais organizado e replicável.
Se há um ponto que não mudou, é a importância da formação. Acredito que a capacitação continua sendo o verdadeiro ponto de virada. O que mudou, felizmente, foi a oferta. Cursos estruturados, acompanhamento clínico e suporte técnico formam um ecossistema que favorece a entrada responsável do clínico geral na implantodontia. Instituições e empresas do setor têm investido fortemente em educação continuada.
Diante disso, o problema já não é a falta de acesso, mas a decisão de dar o primeiro passo. Começar na implantodontia não exige um salto, mas um caminho estruturado.
O primeiro passo é escolher um curso de qualidade, que ofereça não apenas teoria, mas vivência clínica supervisionada. Em seguida, é fundamental iniciar com casos simples: pacientes com boa condição sistêmica, volume ósseo adequado e baixa complexidade cirúrgica. Outro ponto essencial é não caminhar sozinho. Ter o suporte de mentores, colegas mais experientes ou até mesmo de uma rede de especialistas para discutir casos faz toda a diferença nesse início. Soma-se a isso a importância de trabalhar com sistemas e marcas confiáveis em implantes, que ofereçam previsibilidade clínica, suporte técnico e respaldo científico ao profissional. A implantodontia não precisa, e não deve, ser encarada como um território de risco, mas sim como uma área de expansão natural da prática clínica, quando conduzida com preparo e critério.
Desmistificar a implantodontia, portanto, não é apenas atualizar um conceito — é reposicionar o papel do cirurgião-dentista diante de sua própria evolução. Permanecer à margem dessa transformação é abrir mão de uma oportunidade concreta de crescimento profissional. A implantodontia não é mais um desafio distante. Ela é, hoje, uma escolha. E escolher evoluir nunca foi tão possível.
Sergio Bernardes é Diretor Sênior de Novos Produtos e Práticas Clínicas da Neodent. Com mais de 10 anos de experiência na indústria de implantes dentários, inicialmente como consultor e atualmente como Diretor Sênior de Novos Produtos e Práticas Clínicas, possui uma sólida trajetória no setor. Cirurgião clínico desde 2000, atua em procedimentos de cirurgia, prótese e reabilitação oral. Graduado em Odontologia pela Universidade Federal do Rio de Janeiro, e com diploma de equivalência em Odontologia pela Universidade de Lisboa, especializou-se em Prótese Dentária pela APCD/Bauru e em Implantodontia pelo CFO Brasil. Possui também Mestrado em Reabilitação Oral pela Universidade Federal de Uberlândia e Doutorado (Ph.D.) na mesma área pela Universidade de São Paulo. Desde 2003, dedica-se também à formação de novos profissionais como professor, instrutor e treinador, ministrando cursos teóricos e práticos. Como palestrante internacional, já compartilhou seu conhecimento em mais de 20 países na América do Sul, Central e do Norte, Europa, África, Oriente Médio e Ásia. É coautor de três livros sobre Implantodontia e segue contribuindo com publicações científicas em revistas especializadas e capítulos de livros, tanto no Brasil quanto no exterior. Seu foco principal está na pesquisa, desenvolvimento de novos produtos, escrita científica e análise de marketing aplicada à Implantodontia e áreas correlatas, sempre com o compromisso de integrar inovação clínica e excelência acadêmicaODONTOLOGIA NEWs
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