É comum que durante nossa prática clínica nos encontremos com as infecções odontogênicas, principalmente as de origem periapical que resolvemos de forma simples com o tratamento endodôntico e manejo farmacológico.
Porém em alguns casos, podemos encontrar infecções mais graves, com sintomatologia dolorosa mais importante, aumento de volume e outros sinais de comprometimento sistêmico. Agora a infecção é mais séria e demanda uma atenção mais cuidadosa. Mas a dúvida que fica é: devo intervir cirurgicamente?
Peterson quando postulou os princípios de manejo das infecções odontogênicas mostrou de forma bem clara que para o tratamento, deve-se seguir a premissa básica: drenar e remover a causa. Essa drenagem pode ser via canal radicular, sulco gengival ou na região de maior aumento de volume, que em alguns casos representa a zona de flutuação. Depois se complementa com a remoção do dente, tratamento endodôntico ou intervenção periodontal. Ao se drenar, promove-se redução da carga bacteriana, diminuição da pressão tecidual e melhora da perfusão local, além de aliviar o paciente e evitar que a infecção possa progredir ainda mais, com potencial risco à vida. Segundo a literatura, a antibioticoterapia está indicada na presença de sinais sistêmicos e nos casos de progressão rápida da infecção.
Mas quais são os critérios que devemos seguir para tomar a decisão de intervir? Infecções com evolução rápida, com piora em poucos dias, sintomas sistêmicos como febre e prostração, além de trismo, disfagia, odinofagia e dispneia. Mesmo nos quadros de celulite, a intervenção pode ser necessária quando há sinais de progressão ou risco de comprometimento de espaços fasciais, embora a drenagem seja mais efetiva na presença de coleção purulenta estabelecida. O estágio de abscesso pode coexistir com a celulite enquanto há evolução da infecção.
Há um número elevado de complicações relacionado a não intervenção cirúrgica em casos de infecções odontogênicas mais graves, o que impacta diretamente no prognóstico do paciente. Não é incomum que um abscesso periapical em um molar inferior evolua para uma angina de Ludwig em poucas horas, mesmo em pacientes imunocompetentes.
Dessa forma, infecções que apresentem sinais de gravidade e progressão devem ser abordadas de forma ativa, com drenagem quando indicada e eliminação da causa. A demora na intervenção pode permitir a disseminação para espaços fasciais profundos, aumentando significativamente a morbidade e o risco ao paciente.
Caso não haja segurança para a realização do procedimento, o encaminhamento imediato é mandatório. Em infecções odontogênicas, o tempo é um fator determinante no prognóstico.
Priscila Abranches

Especialista em Cirurgia e Traumatologia Bucomaxilofacial, com residência pelo prestigiado Hospital das Clínicas da USP (HCFMUSP). Sua sólida formação acadêmica inclui um Mestrado em Estomatologia pela Unicamp e atuação como professora no curso de especialização da Faculdade Ibeco. Com foco em reabilitações de alta complexidade, possui atualizações em Implantes Dentários (USP), Reconstrução Óssea Guiada e Microcirurgia Periodontal. Unindo rigor científico e técnica refinada, dedica-se a oferecer tratamentos resolutivos e personalizados, sendo habilitada em Cirurgia Oral pela ABO-VR.
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